
– Barbara Kay (1943-), National Review, 2016.
Privilégio de mãe não é restrito a celebridades egoístas. Permanece um fenômeno amplamente disseminado no Ocidente, mesmo que, nessa era de igualdade de gênero tão febril, devesse ser visto como tendo data cultural de validade expirada. Infelizmente, enquanto os meios de comunicação estão atentíssimos à menor manifestação de privilégio masculino, os comentaristas ou silenciam sobre a justiça da parentalidade compartilhada como regra ou, irrefletidamente, apoiam o privilégio materno.
Um artigo servilmente centrado em mães, publicado em maio no U.K. Mail Online, intitulado “A agonia de ser mãe 50/50”, por exemplo, empatiza com as mães que se angustiam com a injustiça de um mundo cruel em que precisam compartilhar seus filhos em igualdade com os ex-maridos. Para o olhar crítico, o texto parece uma sátira, com percalços triviais solenemente afirmados como se fossem trágicos.
A mãe do artigo, Verônica, é descrita como “cheia de maus presságios” sobre os dias que suas crianças vão ficar com o pai, após o que ela não pode entrar no quarto das meninas porque “Eu sei que vou simplesmente me desfazer em lágrimas”. Verônica ficou chocada que o pai das meninas “as tinha levado ao cabeleireiro” sem informar a ela. Agora – céus – seus cabelos estão curtos demais para rabinhos de cavalo. Segue esse drama sofrido até que, casualmente, lemos que “embora confie em seu ex-marido implicitamente com o cuidado das filhas dela…” Em outras palavras, ele não é um monstro; é um bom pai.
O preconceito escancarado da jornalista emerge em seu tom enjoado. Ela nos pede para imaginar “a dor agonizante de privar da vida da sua criança durante apenas metade do tempo. Os momentos perdidos. Os afagos antes de dormir, perdidos… imaginando se elas estão dormindo ou pedindo pela mamãe.” Por favor. São duas pessoas perdendo momentos e afagos e são duas pessoas se perguntando se seus filhos sentem sua falta quando não estão lá. Mas parece como que uma dessas pessoas não existisse.
Verônica acha que está sendo justa quando diz: “Eu sei que as meninas precisam ver seu pai.” Isso é só formalidade. Na essência, ela não acha que as filhas sofreriam se não o vissem porque “no final das contas, eu sou a mãe que, e alguma forma, aprendi a parar de ser mãe durante metade a minha vida. Não estou certa de que eu poderei, em algum momento, fazer as pazes com isso. Não conheço muitas mães que possam.”
E as crianças, Verônica e Gwen? Vocês sabem quantas crianças “fazem as pazes” com a perda de seus pais, como tantas perdem nas Varas de Família preconceituosas? Talvez se a repórter tivesse tido o trabalho de entrevistar alguns – quaisquer – pais, ela pudesse ter entendido que ter que parar de ser pai durante metade da vida é igualmente “agonizante”. Mas nunca ocorreu a ela perguntar. Na minha experiência, quase nunca ocorre a ninguém da mídia perguntar.
Comentários
Postar um comentário